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Dizer que a mídia brasileira é de direita não é opinião, é fato. 58 emissoras espalhadas pelo país são de propriedade de pessoas ligadas ao DEM, seguidas por 48 de gente do PMDB (na maioria prefeitos e senadores). O resultado disso é que a visão e opiniões da direita acabam sendo "padrão" em praticamente todos os veículos de comunicação de grande alcance, e qualquer jornalismo de esquerda é tratado como panfletário. Mas tem alguns casos em que esse jornalismo de direita-padrão é tão panfletário quanto o informe de um partido político!

PARTIDO ESTADÃO
Em virtude da proximidade das eleições, no começo do mês que vem serão ampliadas as restrições à propaganda política nos veículos de comunicação - propaganda que às vezes aparece como opinião e às vezes como notícia. E o Estadão quer porque quer fazer seu jornalismo panfletário, antes e depois do período permitido.

Duas matérias do Comunique-se ilustram o engajamento do Grupo Estado: a Rede Eldorado AM está mobilizando um abaixo-assinado em seu site contra a CSS, a Contribuição Social sobre a Saúde, que eu só consigo chamar de "Cansei de Ser Sexy" e que a Eldorado chama de "Nova CPMF". A intenção da rádio é alcançar um milhão de assinaturas antes da votação da proposta pelo Senado (a CSS foi aprovada pela Câmara nesta quarta-feira por diferença de dois votos). E pra conseguir as assinaturas vale tudo: "convite" (pressão) aos entrevistados para aderir à campanha e editoriais de hora em hora na programação da rede.

Paralelo a isso, o grupo queria fazer propaganda política por meio de editoriais em seus sites, mas teve o pedido negado pelo TSE. Existe uma Resolução do Tribunal que proíbe as emissoras de rádio e TV de "veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido ou coligação, a seus órgãos ou representantes". O Grupo Estado alegou que os sites "não são, e nunca foram, emissoras de rádio e televisão".

Em comentário na matéria do Comunique-se o editor do JT, Marcelo Moreira, diz que a decisão "agride os fundamentos do jornalismo e a liberdade de opinião e expressão". Apesar dos sites do Estadão serem ligados a um grupo que possui rádios, o argumento oficial do Grupo até pode ter algum sentido, porque é meio controversa a questão da lei eleitoral com a Internet. Mas essa história de que não poder fazer propaganda em período eleitoral fere a liberdade de expressão é muito furada!

Mas é "bonita" a postura do Estadão! Eles não têm a preocupação de fingir imparcialidade, como tantos outros têm.

Nesse aspecto, aliás, outra empresa que ganha pontos é a Globo: em seu site Memória Globo, a posição da empresa com relação à ditadura militar é descrita na parte "Polêmicas Histórias" da seguinte forma:
"O Globo, de fato, apoiou o movimento militar. Mas esta não foi uma posição exclusiva do jornal. Havia, naquele momento, um posicionamento amplamente majoritário contra o chamado nacional-populismo de João Goulart. Com exceção da Última Hora, todos os principais órgãos de informação do país apoiaram o golpe.
Depois de instaurado o primeiro governo, alguns periódicos passaram para a oposição. Roberto Marinho seguiu dando apoio aos militares."
É legal isso - e nem estou sendo irônico! O problema da imprensa brasileira não é ser direitista. É não se assumir como tal! Pena que a Globo provavelmente não pode falar de eventos atuais com a mesma clareza que falou dos militares em seu site de promoção de imagem.

FALANDO EM DITADURA...
O ilustríssimo vereador Agnaldo Timóteo, do PP (ex-Arena), elogiou a ditadura militar no "Hoje em Dia", da Record. O Portal Imprensa mencionou que houve até um bate-boca entre Agnaldo e o apresentador do programa, Brito Jr.

Mas isso não é o destaque! O que mais chama a atenção é que muita gente nos comentários da matéria no site apoiou o cantor/vereador, ao ponto de ter comentário dizendo que quem não sente saudade da ditadura "é porque gosta de baderna", enquanto outro lembrava que "as ruas eram seguras" nos bons tempos dos militares. Só se eram seguras porque a polícia estava matando todo mundo!

Deve ser por isso que a mídia dá tanto espaço pra gente escrota vomitar chavões idiotas como "direitos humanos para humanos direitos" ou "bandido bom é bandido morto"... Além de concordar com o posicionamento ideológico dos patrões, ainda tem gente pra ouvir/ler e apoiar!

Para quem quiser ler os comentários, vou repetir o link da nota no site da revista Imprensa:
http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ultimas_noticias/2008/06/09/imprensa20043.shtml ("copie e cole no seu navegador", como se diz para vírus - se precisar cadastrar, cadastre; é rápido e vale a pena).

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