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Notícias sobre mídia e opinião

Daniel Castro: "Só 5% dos brasileiros têm TV de alta definição, revela Ibope"

Do blog do Daniel Castro, no portal R7:

Só 5% dos brasileiros têm TV de alta definição, revela Ibope

Pessoas assistem a jogo da Copa do Mundo em TV de alta definição exposta em loja de São Paulo (Foto: Anderson Barbosa/Agência Estado)

Pesquisa realizada em março pelo Ibope mostra que apenas 5% dos moradores das 11 maiores metrópoles brasileiras já têm acesso à TV de alta definição (HDTV). A pesquisa revela também 67% dos telespectadores conhecem a nova tecnologia, lançada no Brasil no final de 2007.

A TV de alta definição é uma das vantagens da TV digital _a outra é a interatividade, só lançada neste ano. A TV digital ainda está em implantação. Rede com a maior cobertura digital, a Globo tem a tecnologia em 37 de suas 121 emissoras, ou seja, em 30,6% das estações. Mas essas emissoras cobrem mais de 50% da população do país.

A pesquisa do Ibope foi realizada entre os dias 18 e 31 de março, antes da Copa do Mundo, que impulsonou a venda de televisores. Segundo o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital, foram vendidos 5 milhões de aparelhos digitais no primeiro semestre deste ano. O país tem cerca de 60 milhões de domicílios com TV.

O Ibope entrevistou mais de 17 mil pessoas com mais de 10 anos em Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre.

A pesquisa _PayTV Pop_ é feita desde 2000. Está em sua 17ª edição. Visa fornecer um mapeamento da TV paga no país.

Segundo o levantamento, a posse de TV por assinatura cresceu 40% entre 2009 e 2010 _o país deverá fechar o ano com 9 milhões de domicílios com TV paga, atingindo 30 milhões de telespectadores. O crescimento está sendo impulsionado pela classe C. A posse do serviço na classe C aumentou 33% de 2009 para 2010.

Entre os assinantes, 75% estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o serviço e mais da metade pretende permanecer com a mesma operadora e pacote de canais.
A pesquisa também prospectou a penetração dos DVRs, aparelhos que gravam a programação. Entre os assinantes de TV paga, 2% já possuem gravadores digitais.

Serra atribui polêmica da TV Cultura a "blogs sujos"

A demissão de Gabriel Priolli do cargo de diretor de jornalismo da TV Cultura foi um dos assuntos da entrevista concedida por José Serra aos Diários Associados na noite desta segunda-feira (12).

Irritado, Serra desmentiu a história de que a saída do jornalista tinha relação com a reportagem sobre os pedágios e responsabilizou blogs e redes sociais pela repercussão da história. Reproduzo o trecho da entrevista publicada no blog da jornalista Bertha Maakaroun, do Estado de Minas.

Serra nega ter pedido demissão de jornalista e acusa governo federal de usar estatais

Em entrevista aos repórteres Thiago Herdy, Elaine Pereira e Fernanda Penna, dos Diários Associados, ontem à noite, na sede da Tevê Alterosa, em Belo Horizonte, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra negou ter havido inteferência política na TV Cultura, emissora estatal paulista. A polêmica começou no fim da semana passada, quando o jornalista Gabriel Priolli foi afastado de suas funções, supostamente em função da produção de reportagem sobre o custo dos pedágios nas estradas de São Paulo.

Ao ser questionado por Thiago Herdy, o tucano garantiu não ter tido qualquer participação no episódio. A reboque, acusou o governo federal de fazer uso político das emissoras estatais. No início desta semana, a TV Cultura ofereceu um novo cargo ao jornalista e também negou ter havido qualquer motivação política na troca de funções de Priolli.

O senhor pediu a demissão do diretor de jornalismo da TV Cultura?
Serra:
Eu nem soube, eu nem sabia quem era o diretor (de jornalismo da TV Cultura). Aí você tem os twitters e os blogs sujos que vão espalhando (isso) na esperança de fazer pauta para a imprensa. Se teve algo que nunca tutelei, foi a TV Cultura. Ao contrário, é o governo federal que tem as suas emissoras usadas de maneira política muito clara.

O senhor se refere à TV Brasil?
Serra:
São as emissoras em geral, inclusive a TV Brasil.

Radiobrás?
Serra:
É, totalmente.

De que forma isso acontece?
Serra:
De várias maneiras, o jornalismo é bastante criativo para poder fazer isso, esse jornalismo oficialista. A TV Cultura tem autonomia completa, pode pegar o noticiário para ver. É só ir olhar para ver se alguma vez houve alguma espécie de favorecimento.

O que foi argumentado é que o tema pedágio é um tema que incomodaria o senhor, isso é verdade?
Serra:
(Irritado, fechou a cara) Não, não é.

Ao fim da entrevista, o candidato do PSDB retomou o tema espontaneamente:

Serra: Esse negócio da TV Cultura é tudo lorota. Eu passei o meu mandato com a TV Cultura no meu pé no jornalismo, nunca fiz nada.

Mas e o Heródoto Barbeiro...
Serra:
O Heródoto ia ser trocado pela Marília Gabriela, isso já ia acontecer. O Heródoto entrou porque a Lillian Witte Fibe não deu certo. Mas você acha que eu era consultado em relação a isso? Imagina. A gente fica sabendo pelo jornal, aliás, eu sempre fiz questão. Até porque se você manda admitir um cara, até o momento seguinte, você é responsável, então não adianta se meter. Eu não me meto.

Os blogs estão falando sobre isso...
Serra:
Aí é de Luiz Nassif para baixo.

O Estadão deu...
Serra:
Mas aí acaba pautando a imprensa.

O "negócio" da TV Cultura pode até ser "lorota", mas é difícil não achar estranho Gabriel Priolli ser nomeado diretor de jornalismo e, menos de uma semana depois, ser "convidado" a deixar o cargo. Principalmente por existir, entre um evento e outro, a ideia da reportagem sobre um tema desconfortável para o PSDB.

Faltou uma explicação do ex-governador de São Paulo que fosse mais convincente e que, de preferência, viesse sem "blogs sujos" e "Luiz Nassif para baixo" - expressões que causam uma impressão de truculência que, convenhamos, não é nada recomendada para um candidato à presidente.

Mas justiça seja feita: a TV Cultura exibiu a reportagem na noite da sexta-feira (09), depois de ouvir todos os candidatos ao governo paulista, como prometeu Fernando Vieira de Mello.

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Do Luis Nassif Online:

Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.

Ontem, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aloízio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.

Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.

Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana.

Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.

Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.

Em matéria da Folha publicada agora há pouco, Fernando Vieira de Mello afirmou que "a reportagem não foi ao ar na quarta-feira por uma razão muito simples: ela não estava pronta".

O executivo diz que, em um caso como esse, a TV tem a obrigação de cumprir a legislação eleitoral. "A matéria ouvia só o [Geraldo] Alckmin e o [Aloísio] Mercadante. Em período eleitoral, somos obrigados a ouvir todos os candidatos. Foi isso que fizemos. Hoje, a reportagem irá ao ar." A matéria deveria ser veiculada ontem no "Jornal da Cultura", que vai ao ar às 21h.

Segundo o jornal, "Mello acrescenta que a saída de Priolli da direção de jornalismo não tem qualquer relação com a reportagem sobre os pedágios paulistas". E para por aí, deixando a pergunta no ar: se não tem relação com a reportagem, tem relação com o que?

Depois da polêmica criada, não custava esclarecer.

Senado aprova flexibilização do horário de transmissão da Voz do Brasil

Da Agência Senado:

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O senador ACM Júnior (DEM-BA). Foto: J. Freitas/Agência Senado

As emissoras de rádio poderão ter o direito de escolher o horário de transmissão diária da Voz do Brasil entre 19 e 23 horas, com base na hora oficial de Brasília. O fim da obrigatoriedade de transmitir o programa oficial dos Poderes da República pelas emissoras de rádio entre 19h e 20h, como ocorre atualmente, foi aprovado nesta quarta-feira (7) pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

Por sugestão do presidente da comissão, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o relator e autor do substitutivo ao Projeto de Lei da Câmara (PLC 109/06), senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), manteve a obrigatoriedade de transmissão entre 19 e 20 horas para as rádios públicas educativas. A única exceção será para as emissoras legislativas, se estiver havendo sessão deliberativa nesse horário, quando, então, poderão continuar com a transmissão das votações.

A princípio, o projeto permitia o início da transmissão da Voz do Brasil entre 19h e 23h59, o que na prática poderia levar o programa para o dia seguinte.

- Acho que houve um exagero no prazo estabelecido - argumentou o senador Renato Casagrande (PSB-ES).

Pela Lei 4.117/62, que institui o Código Brasileiro de Telecomunicações, a Voz do Brasil é veiculada diariamente, de 19h às 20h, exceto sábados, domingos e feriados, ficando reservados 30 minutos para a divulgação de noticiário preparado pelas duas casas do Congresso Nacional e o restante para a divulgação de informações oficiais dos Poderes da República.

Segundo o substitutivo aprovado pela CCT, o programa será veiculado diariamente, durante 60 minutos, sem corte, dos quais 25 minutos serão utilizados pelo Poder Executivo, cinco minutos pelo Poder Judiciário, dez minutos pelo Senado Federal e 20 minutos pela Câmara dos Deputados.

O substitutivo também prevê que as emissoras de rádio são obrigadas a veicular diariamente, às 19h, exceto sábados, domingos e feriados, inserção informativa sobre o horário em que transmitirão a Voz do Brasil.
A matéria será examinada ainda pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Educação, Cultura e Esporte (CE).

A flexibilização do horário do programa foi uma das 672 propostas aprovadas na 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada no final do ano passado.

Repito o comentário que fiz no post sobre a conferência:

Sou contra a obrigatoriedade do programa "A Voz do Brasil" simplesmente porque o governo tem mais veículos de divulgação oficial do que tinha na época de Vargas, ainda que o acesso a esses canais seja infinitamente mais difícil no interior da Paraíba que em São Paulo.

Conheça outras propostas aprovadas na Confecom

A TV aberta digital da cidade de São Paulo tem três canais legislativos em multiprogramação (TV Câmara, TV Senado e TV Alesp), além de dois canais do Poder Judiciário (TV Justiça e Ponto Jus); Câmara, Senado, Justiça, Exército e Força Aérea têm FMs em Brasília. Quanto mais fácil o acesso a esses canais, menos sentido "A Voz do Brasil" vai ter de estar no ar, independente do horário.

Prédio da Manchete no Rio é vendido por R$ 260 milhões

De Talita Figueiredo, publicado no Estadão da última quinta-feira (01/07):

Leiloado em maio com lance inicial de R$ 65 milhões, o prédio da Manchete, na Glória, zona sul do Rio, foi comprado pela BR Properties por R$ 260 milhões, conforme anúncio feito pela própria empresa ontem à tarde. A companhia informou que pretende realizar a modernização completa do edifício, que vai respeitar a concepção original do imóvel, e construir no local um edifício com salas de escritórios, reuniões, eventos corporativos e ainda garagem com 320 vagas. As obras devem ser entregues em agosto de 2011.

Projetado por Oscar Niemeyer, o complexo de 30 mil metros quadrados foi sede da Bloch Editores, a gigante da imprensa brasileira declarada falida há oito anos. Inicialmente, chegou a ser mobiliado com mesas e cadeiras desenhadas por Sérgio Rodrigues e decorado com obras de artistas famosos, incluindo Cândido Portinari.

O imóvel está alugado para a Universidade Salgado Oliveira (Universo) até 2011. Em 2007, a entidade tentou arrematá-lo em outro leilão, por R$ 28 milhões, mas não conseguiu, porque a oferta foi muito baixa.

Impactante, o complexo de 12 andares chama a atenção na paisagem da Glória desde 1968. Foi construído especialmente para abrigar a Bloch e suas revistas Manchete, Fatos e Fotos e Desfile, entre outras. Nos anos 80, recebeu a TV Manchete.

Nos anos áureos, o edifício da Rua do Russel recebeu a visita de presidentes, governadores e artistas. Até sua morte, Juscelino Kubitschek chegou a ter um escritório no último andar, montado pelo amigo Adolpho Bloch. O velório do ex-presidente, em 1976, foi realizado no saguão.

Não é a primeira vez que se tem notícia sobre a venda desse prédio. A diferença é que, desta vez, a notícia envolve uma empresa "dedicada, principalmente, à aquisição, administração, desenvolvimento e locação de imóveis comerciais", e não uma transportadora do Espírito Santo, como no ano passado.

O site da BF Properties já mostra o Edifício Manchete entre as propriedades da empresa e divulgou nota sobre a compra, na qual anuncia as "obras de retrofit (restauro) completo, além da construção de edíficio garagem com mais de 320 vagas, visando maior conforto para os usuários e para a vizinhança do Edifício". No orkut, já se especula sobre o espaço onde serão construídas as tais 320 vagas de estacionamento; a maioria das pessoas tem receio que seja na área dos antigos saguões.

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Um dos saguões do Edifício Manchete, no auge da Bloch.

Há pouco mais de um mês, foi noticiado que a Rede Record estaria interessada no prédio, mas que teria desistido do negócio por causa do alto preço cobrado pelos proprietários. Se a Record ainda tiver interesse, vai poder alugar o edifício ou parte dele no ano que vem: de acordo com a nota no site da BF Properties, "ao final das obras de retrofit, o Edifício Manchete poderá ser ocupado como sede corporativa de uma única grande empresa ou por múltiplos locatários, já que seus espaços internos são flexíveis".

É difícil acreditar que o prédio não fique descaracterizado. Mas, com ou sem Record, é bem provável que não fique mais desocupado.


UPDATE (07/06): O professor e pesquisador Fernando Morgado lembrou que o Edifício Manchete não poderá ser descaracterizado por ser tombado, e afirmou que todas as obras de Oscar Niemeyer têm tombamento automático.

Em 2007, 35 obras foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Na época, o órgão planejava a elaboração de um inventário com todas as obras do arquiteto, para que tudo fosse preservado.

Relendo a nota sobre a compra do prédio no site da BF, vi que é anunciada a construção de um edifício garagem, que pode muito bem ser um anexo à antiga sede da Bloch, totalmente independente das construções de Niemeyer. É precipitado apostar que a garagem vá sacrificar os saguões.
Leia os artigos do blog publicados no Tele História

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