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sábado, 19 de dezembro de 2009

Marcha pela Paz e pela Não-violência acontece amanhã em São Paulo

Um bom programa para quem estiver em São Paulo neste domingo.

MidiaClipping - Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência
Uma marcha está percorrendo o mundo. É a Marcha pela Paz e pela Não-violência.

Saiu da Nova Zelândia, no dia 2 de outubro, para um percurso que inclui mais de 100 países, contando com a adesão de presidentes, prêmios nobel da paz, militantes, artistas e todas as pessoas que concordam com a necessidade de criar uma consciência global a respeito do desarmamento e da não-violência.

MidiaClipping - Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência
Dia 20 de dezembro, após percorrer mais de 130.000 km, essa Marcha chega a São Paulo.
Nesse dia, queremos unir as vozes de todos os movimentos, organizações e pessoas, em uma marcha no coração da cidade, para expressar nosso repúdio a toda forma de discriminação e violência (econômica, de gênero, racial, religiosa, psicológica, física,...).

Convidamos você a participar ativamente, trazendo sua bandeira, seu sentimento e seus ideais!

A Marcha tem como principais reivindicações:

- o desarmamento nuclear mundial;
- a retirada imediata das tropas invasoras dos territórios ocupados;
- a redução progressiva e proporcional dos armamentos de destruição massiva;
- a assinatura de tratados de não-agressão entre países;
- a renúncia dos governos a utilizar as guerras como meio para resolver conflitos.
- o repúdio a toda forma de violência (econômica, sexual, de gênero, racial, moral, psicológica, religiosa, física) e discriminação.

Participe!

Dia 20/12, concentração às 14h na Rua Barão de Itapetininga para Marcha pelo Centro com cortejo do bloco afro Ilú Obá de Min, até o Vale do Anhangabaú.

Vale do Anhangabaú, às 16h

SHOW com
Simoninha, Max de Castro, Luciana Melo, Jair de Oliveira, Orquestra de Berimbaus, Madan, banda e convidados, Teatro União e Olho vivo, Babado de Chita e outros convidados.


Veja o cartaz do evento:
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Mais informações:
www.marchamundial.org.br

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Confecom termina com 672 propostas aprovadas; conheça algumas

MidiaClipping - 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)A 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) terminou nesta quinta-feira com um saldo de 672 propostas aprovadas, que serão incluídas no documento final do evento, previsto para ser divulgado na próxima semana.

O número de propostas aprovadas não representa a mudança efetiva a ser causada pela Confecom. Aliás, o texto do editorial do Portal Vermelho, que afirma ser "certo e sabido" que poucas dessas propostas serão aprovadas, resume de forma bem realista essa questão. Mas o mesmo editorial aponta que "a realização desta primeira conferência já é um passo importante para mostrar ao poder público e aos empresários do setor que existe uma forte demanda na sociedade pela democratização da comunicação, cujo exercício deve ser entendido como um direito de cidadania e não um privilégio de grupos privados". E é bem isso!


Leia o editorial no Portal Vermelho: "Democratização da comunicação: Confecom deu o primeiro passo"


O G1 resumiu algumas das principais propostas aprovadas. Fiz um resumo desse resumo, dando pitaco também:

CONTROLE SOCIAL E PARTICIPAÇÃO POPULAR
A proposta estabelece uma "garantia de mecanismo de fiscalização, com controle social e participação popular" no financiamento das emissoras e nos conteúdos de promoção de cidadania, no cumprimento de "percentuais educativos" e de produções nacionais.

A Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), que representa o Grupo Bandeirantes e a RedeTV!, disse que já existe fiscalização por parte do governo. A reportagem do "Jornal da Band", reproduzida no eBand, atacou indiretamente a proposta, dizendo que "foram criados mecanismos de controle da informação" na Confecom.


CONSELHO FEDERAL DE JORNALISMO, CONSELHO NACIONAL DE COMUNICAÇÃO E NOVA LEI DE IMPRENSA
A proposta que estimula a criação dos dois conselhos e a que defende a criação de uma nova lei de imprensa foram criticadas no G1, que usou o mesmo argumento da Band.

Antes de concordar cegamente com as grandes empresas do setor que abominam qualquer tipo de controle, é bom lembrar que a ausência de controle da sociedade não significa mais liberdade de expressão. Pelo contrário: o controle pode ser muito bem exercido pelas próprias empresas (vide Paulo Henrique Amorim e o PiG - Partido da Imprensa Golpista).


FLEXIBILIZAÇÃO DA VOZ DO BRASIL E MULTIPROGRAMAÇÃO NA TV DIGITAL ABERTA
A Band elogiou e o G1 nem comentou. As duas propostas, que favorecem as empresas, são necessárias.

Sou contra a obrigatoriedade do programa "A Voz do Brasil" simplesmente porque o governo tem mais veículos de divulgação oficial do que tinha na época de Vargas, ainda que o acesso a esses canais seja infinitamente mais difícil no interior da Paraíba que em São Paulo.

Sobre a multiprogramação, não vejo sentido em ser proibida, como já comentei por aqui. O problema não está na multiprogramação e no seu possível "mal uso", mas sim na falta de uma regulamentação que impeça a existência de canais em TV analógica ou digital alugados para quem pagar mais, independente do conteúdo que venham a produzir.


O DIPLOMA PARA JORNALISTA
Estabelece que a "formação superior específica é necessidade essencial ao exercício do jornalismo profissional".

Das propostas mais comentadas, para mim é a mais conservadora. O fim da obrigatoriedade do diploma pode desvalorizar a profissão, fazer as empresas contratarem qualquer um, diminuir os salários? Sim. Quem tem um curso superior de jornalismo é, teoricamente, mais preparado que quem não tem? Sim. Mas será que um cara que quer escrever no primeiro caderno da Folha não teria algo interessante e mais profundo a dizer se tivesse estudado sociologia, história ou geografia? E mais: será que o diploma, mesmo sem ser obrigatório, não seria valorizado?

Parece que o pessoal preferiu "garantir o seu" em vez de aprofundar essa discussão.


POLÍTICOS DONOS DE EMISSORAS
Proposta meio utópica, mas essencial. A matéria do Portal Imprensa fala melhor sobre ela que o G1.


OBSERVATÓRIO DE MÍDIA
Foi aprovada a criação de um "Observatório Nacional de Mídia e Direitos Humanos", para monitorar "desrespeito aos direitos do cidadão nas diferentes mídias brasileiras". O observatório teria um departamento jurídico para resolver os "casos gritantes de desrespeito aos direitos humanos".

É a institucionalização do controle social e participação popular.

***

Independente das mudanças reais, concordo com o editorial do Vermelho já citado, do qual replico mais um trecho: "A realização da conferência, por si só, já é uma vitória do movimento pela democratização das comunicações no Brasil. (...) Foi a primeira vez que amplos setores da sociedade foram convidados a debater políticas públicas para este estratégico setor. Até então, a comunicação no país era assunto de gabinete e de alguns poucos especialistas no assunto". E, mais uma vez, é bem isso!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Destaques da Confecom na mídia

MidiaClipping - 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)Enquanto a grande mídia continua praticamente ignorando a Confecom, diversos blogs e sites estão acompanhando os debates, fazendo análises pertinentes e divulgando alguns dos temas discutidos.

Confira aqui alguns dos destaques da conferência:

Portal Vermelho
As primeiras vitórias da Conferência Nacional de Comunicação

Caros Ouvintes
Johnny Saad defende pluralidade e diversidade

Observatório na Confecom (Observatório do Direito à Comunicação)
Presidente do Grupo Bandeirantes, dono de rede de TV e de dezenas de rádios, prega pela desverticalização do setor
Sob vaias e gritos de "o empresário é seu patrão", Hélio Costa corta discurso pela metade

Jornalismo B
Desorganização prejudica Confecom

Comunique-se
Confecom aprova proposta de diploma para o exercício do jornalismo

Folha Online
Conferência de comunicação pede transparência em concessões

meio&mensagem
Começam votações de 1,5 mil projetos na Confecom

sábado, 12 de dezembro de 2009

1ª. Conferência Nacional de Comunicação começa nesta segunda

MidiaClipping - 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)Começa na próxima segunda-feira, em Brasília, a etapa nacional da 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (1ª. Confecom). O evento, que contará com quatro dias consecutivos de debates e plenárias, é o primeiro a discutir o papel dos meios de comunicação na história do país.

Com o tema central "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania era digital", a 1ª. Confecom se desenvolverá em três eixos-temáticos: "Produção de Conteúdo", "Meios de Distribuição" e "Cidadania: direitos e deveres".

O site Observatório do Direito à Comunicação fará cobertura especial da Confecom via Twitter, e através de um blog criado especialmente para a cobertura, no endereço www.direitoacomunicacao.org.br/blogconfecom.

Por aqui, também pretendo falar da conferência, na medida do possível.

Se você não sabe direito o que é a Confecom, não estranhe: a grande mídia simplesmente ignorou o evento, como era de se esperar. Um evento "oficial" para discutir o papel social da mídia, seu poder e o que os movimentos sociais esperam dos veículos de comunicação não deve ser muito agradável aos olhos das empresas que alugam concessões para igrejas, vendem uma quantidade considerável de horários para empresas de televendas ou resumem o Brasil ao eixo Rio-São Paulo, por exemplo.

É praticamente impossível que a Confecom promova uma "revolução" nos meios de comunicação, como lembrou o blog Jornalismo B há poucos dias, mas a própria existência do evento não deixa de ser um avanço!

Acompanhe a programação divulgada no site oficial da Confecom
Saiba mais sobre a conferência
Acompanhe o blog sobre o evento no Observatório do Direito à Comunicação

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Raridade: veja o dono da RedeTV!, em 1999, se responsabilizando pelas dívidas trabalhistas da Rede Manchete

O radialista Rafael Dutra Caus, membro da comunidade sobre a Rede Manchete no Orkut, digitalizou e disponibilizou no YouTube, nesta quinta-feira, uma gravação do programa "Show Business" exibido em maio de 1999, onde João Dória Jr. e Denise Campos de Toledo entrevistam Amilcare Dallevo Jr., o novo dono da emissora.

Dallevo conta os planos para a nova emissora, que ainda não tinha nome definido, mas já não usava mais a marca "Manchete", e se compromete a quitar as dívidas trabalhistas da antiga TV.

PARTE 1


PARTE 2


Entenda a confusa transição entre Manchete e RedeTV!

AMILCARE E A MANCHETE DOS BLOCH
O grupo TeleTV, de Amilcare Dallevo Jr., era responsável pelos sistemas de telefonia em programas interativos como "Você Decide" (Rede Globo) e cresceu nos anos 90 com a popularização dos sorteios pelos telefones 0900, que foram exaustivamente usados pela maioria das emissoras, incluindo a Rede Manchete, até sua proibição em 1998.

Além da TeleTV, o grupo tinha uma empresa de tecnologia (TecNet) e uma produtora independente, a Ômega Produções, que produziu para a Manchete entre 1997 e 1998 os programas "Domingo Milionário" e "Domingo Total", um pouco antes da proibição do lucrativo sistema de sorteio.

A Manchete mergulhou mais fundo em sua última crise logo depois disso, devido ao baixo retorno financeiro das transmissões da Copa de 98, ao fracasso de "Brida" e a outros problemas de ordem macroeconômica. Terminou 1998 com programas extintos, greves e um esvaziamento da programação como nunca havia se visto.

O ANO DA VENDA
Depois de uma tentativa mal sucedida de arrendamento para a Fundação Renascer no começo de 1999, a Rede Manchete foi posta a venda, até porque tinha as cinco concessões próprias vencidas desde 1996 e, caso não resolvesse sua situação financeira até maio do mesmo ano, sairia do ar.

As primeiras informações divulgadas pela Bloch sobre a compra da Manchete pelo Grupo TeleTV davam conta de que a produtora "se tornaria responsável pelo passivo da emissora" e que "o pagamento dos salários atrasados seria prioritário no contrato", conforme publicado em matéria da Folha de São Paulo de 13/03/1999 (disponível no site Tele História).

As negociações chegaram a ter acompanhamento pessoal do então ministro das comunicações Pimenta da Veiga, e toda informação publicada confirmava os primeiros comunicados da Bloch. Logo após a venda, por exemplo, a revista Veja publicou matéria na qual Amilcare Dallevo Jr. se comprometia a assumir o total das dívidas da Manchete, estimadas na época em R$ 329 milhões.

Até aí, tudo bem. O problema é que a transação real acabou sendo diferente da inicialmente divulgada.

O NEGÓCIO
A transferência da Rede Manchete para a TV Ômega foi uma operação, no mínimo, esquisita. A pessoa jurídica da TV Manchete Ltda. foi dividida em duas partes: as concessões e tudo o que era necessário para a continuidade da operação imediata da TV ficaram com a TV Ômega; as dívidas, equipamentos, marca e arquivo (o patrimônio e a "parte podre") foram para uma empresa chamada Hesed Participações, do empresário Fábio Saboya Salles Júnior, que pretendia vender o patrimônio da emissora, pagar as dívidas e ainda ter lucro no final, conforme publicado na coluna do Daniel Castro de 25/12/1999, também disponível no Tele História.

Curiosamente, a Hesed Participações alegou, meses depois da compra, que não tinha condições de assumir as dívidas da TV Manchete, e declarou falência. E a TV Ômega, que comprou a emissora nessa estranha sociedade, mas que em maio estava toda disposta a pagar as dívidas trabalhistas, passou a responsabilizar a Hesed sobre todos os débitos da Manchete. Para completar a dúvida, o site Rede Manchete - Uma História de Sucesso diz que a Bloch Editores publicou na Revista Manchete em maio de 1999 que havia se comprometido a ser fiadora da Hesed na venda da TV.

Com a declaração da Hesed de que não poderia honrar as dívidas da TV, a editora, que já não ia bem das pernas, pediu concordata e processou Amilcare Dallevo, dono da TV Ômega, para que os débitos fossem repassados à sua empresa, que era a sócia da Hesed na compra da emissora.

Aí começou a bagunça: a Bloch faliu, os prédios foram lacrados e ninguém pagou ninguém!