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Daniela Beyruti assume direção do SBT prometendo retomada de audiência

"A filha mais velha de Silvio Santos com a mulher Íris Abravanel, Daniela Beyruti, 32 anos, assumiu o comando do SBT e tem agora a missão de recuperar a emissora e colocá-la novamente na vice-liderança da audiência". Esse é o texto do Terra sobre entrevista concedida por Daniela Beyruti à Revista Poder, de Joyce Pascowitch.

Nunca tinha ouvido falar nessa revista. É uma publicação de tiragem reduzida, editada pela própria Joyce Pascowitch e distribuída em uma meia dúzia de pontos elitistas de algumas cidades (pelo menos na cidade de São Paulo, só é vendida nos aeroportos, na Av. Faria Lima e na Praça Vilaboim). Mas o foco não é a revista, e sim a entrevista de Daniela Beyruti, que é muito interessante.

A filha de Silvio Santos assumiu a (ou o) SBT Geradora - no início desse ano a empresa foi dividida em Produtora e Geradora. Daniela diz na entrevista que a SBT Geradora é responsável pela "área comercial, marketing, assessoria de imprensa e o que envolve o show business da televisão".

Segue abaixo reprodução de alguns dos principais trechos da entrevista, disponível, na íntegra, em http://revistapoder.uol.com.br/p5/materia1.html:

SBT X RECORD
Prefiro falar do SBT. Acho que o SBT tem uma coisa muito especial. Querendo ou não, ele é popular. E tenho orgulho de falar que ele é popular. Enquanto tantos querem atingir o público A e o B, a nossa realidade é o C e o D. A gente é C e D naturalmente. Tem uma identificação natural com a massa. Isso vai passando de cima para baixo, e implanta no coração essa vontade de ser um canal popular. É óbvio que perder a segunda posição, para quem quer que seja, não é agradável. A gente, por muito tempo, correu sozinho no segundo lugar. Tinha orgulho, fazia até campanhas (“vice-liderança absoluta” “na nossa frente, só você”...). A gente brincava com isso. A gente nunca quis tirar o lugar da Globo.

REDE GLOBO
No ano passado, fiz um estudo da grade da Globo. Aprendi a ter um respeito e uma admiração muito particular. É tão bem programado com o hábito do brasileiro. É muito legal. Eles têm uma programação direcionada. A gente era a segunda opção. Quando você perde isso, você se pergunta: “Onde eu me perdi? O que aconteceu?”. Só quando você perde, você se depara com essa questão.

CHIQUE E BREGA
Não estou em busca da resposta a essa questão. O ponto é: voltar a ser o que uma vez foi a nossa identidade. O SBT tem a sua personalidade, tem uma marca... É voltar a isso, a focar naquilo que a gente foi feito para fazer. Não adianta querer ser chique, que a gente vai ser brega. É bom a gente continuar a fazer a nossa programação popular, falando do jeito que a gente sabe falar com o povo. Fazer aquilo que nasceu para fazer. Quando a gente se perdeu aí, num tempo, a gente deixou de ser quem era, de fazer aquilo que sabia fazer. Hoje, a gente está voltando, eu acho. É muito mais fácil bagunçar essa sala inteira do que a colocar no lugar. Vai levar um tempo até colocar a nossa casa em ordem.

O MEU PAPEL NA HISTÓRIA
O meu pai é único aqui. A questão é eu ajudar a motivar o pessoal a voltar para esse trilho. Cheguei quando a gente estava perdendo a batalha. É mais uma questão de colocar o ânimo de volta, motivar, sacudir a poeira, e voltar ao caminho que ele está direcionando a gente. De uns tempos para cá houve muita crítica. Quando ficamos um tempo sem falar (com a imprensa), acabou sendo ruim. Deixamos que os ruídos ficassem mais altos do que aquilo que estava realmente acontecendo. Esse é o meu papel.

O JEITO SBT DE SER
Estou aqui, quero aprender tudo que tiver de aprender. Não vou dizer que eu sei tudo, porque não sei. Não vou dizer que estou preparada para estar onde estou, porque não estou. Quero me informar, conhecer mais a história e o futuro, quem está hoje na linha de frente da empresa e o que estão pensando. Pelo que o pessoal fala, ele sempre foi assim (ansioso). E isso sempre deu certo. A Record fez uma coisa muito parecida com a Globo e estabilizou ali. O SBT sempre foi desse jeito espontâneo. Fizemos uma pesquisa, perguntando: se a Globo fosse uma festa, que festa seria? E as pessoas responderam que seria uma festa glamourosa, chique, em que as pessoas ficam na porta, mas não podem entrar. Se a Record fosse uma festa, as pessoas responderam que seria uma festa muito chique, boa... E se SBT fosse uma festa, seria aquela que todo mundo gosta de ir, com cerveja no copo de plástico, coxinha, uma festa que a pessoa se sente em casa. É aí que está a nossa marca, que a gente perdeu. A gente errou a mão em algum lugar ou a Record acertou muito em outro. Não é uma coisa só. Isso faz com que a ansiedade seja maior. “Vamos colocar um Show do Milhão domingo que vem.” E vinha o domingo, e ficava, dava resultado instantâneo. Hoje não é assim.

VENDA DO SBT
Falou-se muito. Era boato. Nunca foi nossa intenção vender. É a nossa menina dos olhos. Uma paixão. Poder se comunicar, entrar na casa das pessoas, estar junto com elas – deixar que o povo faça parte da nossa história, mas também fazer parte da história do povo. Precisamos resgatar mais essa identificação.

GESTÃO
Sou muito mais de desenvolvimento e estratégia do que operacional. Sei onde quero chegar, sei falar para todo mundo onde a gente quer chegar. Onde a gente quer chegar? Recuperar a identidade do SBT e conseguir fazer com que seja um canal de entretenimento, com muita qualidade, com conteúdo de verdade e que volte a ser uma referência, que a marca volte a ser valorizada. Temos de reposicionar o SBT.

Parece que Daniela Beyruti vem realmente disposta a reverter a situação do SBT: no texto da matéria Joyce Pascowitch diz que Daniela "ama televisão desde criança" e "sente um orgulho incrível da emissora". O mais importante é a consciência dela com o posicionamento do SBT e a preocupação nessa recuperação de identidade. O SBT é popular e pode ser competente dessa forma, "sem ser sensacionalista demais", como ela disse em outro ponto da entrevista - ainda que também tenha citado Luciana Gimenez e Pânico na TV como programas que gosta de assistir.

Apesar da manchete do Terra ser "Filha de Silvio Santos assume o SBT e critica o pai" (em razão das mudanças excessivas de horários e programação), ela não garante que a partir de agora será diferente. Pelo contrário, diz que se não tomar cuidado, vai acabar fazendo igualzinho. Tomara que não faça!

Por enquanto, o SBT segue entusiasmado com o sucesso de Pantanal, por mais que não seja "culpa" da emissora, e volta a investir em novas atrações. Para agosto estão programadas as estréias de Ratinho e Claudete Troiano.

Comentários

  1. O QUE ELA PODE FAZER ???
    ENTENDE TANTO DE TELEVISÃO, COMO DE OPERAÇÃO DE CEREBRO..........
    AHHHHHHHHHH COMO É BOM TEM PAI PODEROSO......GANHA CARGO E FUNÇÃO SEM NEM SABER O QUE FAZER.....CAIU DE PARAQUEDAS.........

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