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Record x Folha - Parte 3

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O "Domingo Espetacular" desta semana exibiu a reportagem "O Escândalo da 'Ditabranda'", anunciada pela Record em 31/03. Foram 13 minutos de depoimentos de ex-presos políticos, como o de Ivan Seixas, filho do metalúrgico Joaquim Alencar Seixas, cuja morte foi manchete da Folha da Tarde um dia antes de acontecer, e da jornalista Rose Nogueira, que trabalhava no mesmo jornal quando foi presa na Operação Bandeirante, em 1969. Também foram procurados pessoas que se criticaram o editorial da Folha de S. Paulo que chamava a ditadura brasileira de "ditabranda" e o presidente do Movimento dos Sem Mídia, Eduardo Guimarães, que promoveu uma manifestação contra o editorial.

A Folha publicou, na edição de ontem, texto intitulado "Universal usa Record para fazer novo ataque à Folha", onde ignorou as acusações sobre sua atuação no regime militar e atrbuiu os ataques a uma tentativa da igreja de "intimidar" o jornal "para que deixe de publicar reportagens a respeito de suas atividades empresariais". A matéria ainda afirmou que o jornalista Daniel Castro, hoje também "intimidado" pela igreja, havia sido convidado pela Record para ocupar o cargo de gerente de comunicação da emissora.

No mesmo dia, a Record respondeu à Folha, dizendo que o jornal "menospreza a inteligência de seus leitores" na resposta às acusações feitas pela reportagem e que "apelou para a dissimulação".

Veja a matéria do "Domingo Espetacular" de 05/04, já com o editorial exibido no "Jornal da Record" de 07/04, e a íntegra da resposta da Folha, publicada na mesma data.


Universal usa Record para fazer novo ataque à Folha
Emissora insiste em tentativa de intimidar jornal

DA REDAÇÃO -
Publicado no caderno Brasil, de 07 de abril de 2009.

A Rede Record, que pertence ao bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus, veiculou no domingo à noite no programa "Domingo Espectacular" mais uma sequência de ataques à
Folha.

Durante 13 minutos, a emissora de TV usou depoimentos de vítimas da ditadura militar (1964-1985) para repetir críticas ao termo "ditabranda", empregado recentemente em editorial da
Folha e que o jornal retificou a seguir.

O programa destacou que a "Folha da Tarde", hoje extinta e que pertenceu ao Grupo Folha, apoiava no início dos anos 1970 a repressão do governo contra a guerrilha esquerdista.

A Record tem insistido em diversos tipos de ataque contra o jornal. Desde 17 de março, os telejornais da emissora afirmam que a
Folha estaria em "crise de credibilidade", não seria isenta na publicação de notícias e promoveria uma campanha contra a Record e a Igreja Universal do Reino de Deus.

A emissora alega que as agressões são resposta a notícias divulgadas pela coluna "Outro Canal", publicada pela Ilustrada.

Escrita por Daniel Castro, a coluna tem como foco os bastidores da TV. Em março, Castro divulgou dados de audiência da Record News, canal de notícias da rede, que resultaram favoráveis à concorrência. Sem invalidar a conclusão, parte dos dados continha erro, que foi corrigido em seguida pelo jornal.

Antes de tentar intimidar o jornalista da
Folha, a Record quis contratá-lo. No início de fevereiro, por meio de seu vice-presidente comercial, Walter Zagari, a emissora ofereceu ao colunista o cargo de gerente de comunicação, que foi recusado.

Ações judiciais

Desde o ano passado, a Igreja Universal do Reino de Deus busca intimidar a
Folha para que deixe de publicar reportagens a respeito de suas atividades empresariais.

Ao longo de 2008, integrantes da Universal ajuizaram 107 ações na Justiça contra a
Folha. Todos alegavam ter sofrido danos morais com a reportagem "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", publicada pelo jornal em dezembro de 2007.

Para dificultar a defesa do jornal e aumentar os custos com o deslocamento de advogados e testemunhas, as ações foram propostas em cidades que ficam longe de grandes centros e de difícil acesso.

Até agora, houve 74 sentenças, todas favoráveis à
Folha. Em 13 casos, os juízes condenaram os autores por litigância de má-fé, que significa que eles fizeram uso indevido da Justiça.

Independente da motivação, a reportagem da Record é forte e esclarecedora, e é fato que o jornal não se manifestou com relação às acusações feitas - e que nem tem como se manifestar. Mas esse bate-boca já deu o que tinha que dar! Se a Folha "menospreza a inteligência de seus leitores" não respondendo às acusações, a Record, com mais um editorial e a demonstração de que pretende arrastar essa briga o máximo possível, abusa da paciência de seus telespectadores.

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