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O carnaval desnecessário da Record

Na semana passada todo mundo falou sobre o mais novo barraco da Record, envolvendo o Emmy e, claro, a Rede Globo.


A história é simples e repercutiu bem mais do que deveria: na última quinta-feira foi publicada a lista dos semifinalistas regionais do Emmy Internacional. A Record havia inscrito três de suas "excelentes" produções (as novelas "Caminhos do Coração" e "Amor e Intrigas", o humorístico "Show do Tom" e três programas jornalísticos), segundo informações de Daniel Castro na Folha de São Paulo de 05 de setembro. O que acontece, e que todo mundo deve ter sabido, é que nenhum dos programas da Record foi selecionado pela Academia Internacional de Televisão, Artes e Ciências (IATAS), organizadora do prêmio e entidade da qual a Globo é parceira.

Certos de que as produções semifinalistas da Globo não tinham qualidade superior às suas produções inscritas (a Globo concorre com a novela "Paraíso Tropical", com os programas "Malhação", "A Grande Família", "A Pedra do Reino" e "Por Toda Minha Vida", com os jornalísticos "Linha Direta" e "Jornal Nacional" e com os atores Marieta Severo, Irene Ravache e Pedro Cardoso), a TV da Barra Funda ficou indignada e emitiu um comunicado questionando a credibilidade da premiação, tendo em vista o "patrocínio" da Globo, e declarando que "a RECORD teria vergonha de ganhar um EMMY patrocinado por ela própria".

No mesmo dia a Globo respondeu o comunicado, alegando que "uma emissora de televisão ou seus representantes jamais podem votar nas categorias em que estejam concorrendo", que a avaliação dos programas é feita por profissionais de TV de 40 países e que o processo passa por auditoria.

É compreensível a revolta da Record quando a sua concorrente (e Partner da Academia) tem sete produtos selecionados enquanto ela não tem nenhum. Da mesma forma, é até compreensível a hipótese da Record imaginar que a qualidade de seus programas é similar à Globo, principalmente se um dos produtos selecionados da líder for "Malhação". Mas, pera lá!

Não sou muito de ver novela na Record, mas um dos raros dias em que vi um capítulo de "Vidas Opostas" (trama mais bem avaliada pela crítica até agora), percebi erros de produção “consideráveis”. Num mesmo capítulo, a parede externa de um quarto balançou quando um personagem bateu na porta e uma mesa de mármore balançou ao levar um soco. Pode parecer implicância, mas são detalhes que deveriam ser mais bem cuidados. Foram falhas fáceis de perceber!

Já ouvi falar que "A Favorita" tem seus descuidos, como personagens que têm a mesma aparência vinte anos antes, ou que atravessam a cidade de São Paulo em quinze minutos. Mas isso concorre com "Os Mutantes", continuação de "Caminhos do Coração" - novela notoriamente trash que a Record indicou ao Emmy!

Concordo que a programação da Globo não é grande coisa, que poderia ser melhor. Mas soou muito infantil emitir comunicado depois de não ter classificado programa nenhum como semifinalista do Emmy. Por que não questionou a parcialidade do prêmio antes de ter sido "rejeitada"? Não seria mais inteligente deixar isso passar batido em vez de fazer o carnaval que fez? Ou será que ninguém na Barra Funda imaginava que a Globo teria uma resposta convincente na ponta da língua?

A Record copia a Globo. Isso também é notório. E cópia é cópia, é inferior ao original! Então, antes de querer superar a original através da cópia, a Record bem que podia tentar fazer alguma coisa com a sua cara.

Se a Record conseguisse produzir algo com estilo próprio (e algo que fosse notoriamente - estou repetindo o termo de propósito - superior ao feijão-com-arroz da Globo), inscrevesse essa produção no Emmy e não ficasse nem entre os semifinalistas, aí sim, poderia "soltar os cachorros"!

Nas condições atuais, só perdeu a oportunidade de ficar quieta!

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