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Aimoré: "Quem escuta ondas curtas hoje?"

O post da quarta-feira passada sobre o arrendamento dos canais da Rádio Globo do Rio de Janeiro e São Paulo em ondas curtas, reproduzido no dia seguinte no Radio Base, gerou comentários lá e aqui. A maioria dos leitores recriminava o abandono da Globo à faixa de freqüência e a priorização do uso das concessões como fonte de renda garantida. Mas um comentário do Dionisio Codama, o Aimoré dos arquivos sonoros, chamou especialmente a atenção.

Segue o texto:

"Olá Anderson Diniz, faço-te uma pergunta:
Quem escuta ondas curtas hoje?
Eu digo: Um em um milhão.
Quem gosta de ouvir barulho ionosférico (chiado)? Quem suporta desvanecimentos da onda (ela some por alguns segundos, fica distorcida por inversão de fase)? Quem aprecia ficar ouvindo o ruído causado pelas lâmpadas fluorescentes? Quem gosta de ouvir rádio com interferência das fontes chaveadas de aparelhos eletrônicos (computadores, carregadores de pilha)? Os níveis de ruído aumentarão com a internet via rede elétrica. É por isso que o AM está em declínio.
Um outro grande equívoco: o AM digital no Brasil tem dois sistemas incompatíveis em ondas médias e ondas curtas.
Cá entre nós, Que ruído horrível causa o sistema IBOC em ondas médias, a emissora "vaza" 10 kHz para a esquerda e 10 kHz para a direita da freqüência central, ocupando 30 kHz do espectro, no mínimo.

Eu tenho a impressão que o Sistema Globo alugou os transmissores de ondas curtas à IPDA para fazer birra com a IURD, além de ser um bom negócio...

O ouvinte fica mesmo é na faixa de FM."


Tenho procurado me informar mais sobre dexismo, ultimamente. Sou muito leigo no assunto, não tenho nem receptor de ondas curtas em casa, mas lembro desses momentos em que a onda sumia nas transmissões de ondas curtas, quando ouvia.

A radioescuta em OC, pelo que leio, está muito mais pra hobby que pra "necessidade" ou única opção radiofônica disponível. E aí podemos fazer um paralelo entre o FM/OC e o MP3/LP. Hoje é possível baixar por aí muita coisa que só tínhamos em vinil... mas muita gente prefere o vinil, por uma série de fatores que incluem a questão física do disco e até mesmo seus chiados característicos. Acho que é isso que justifica a motivação em preservar as faixas de freqüência por parte dos dexistas.

E o mercado dos dexistas pode ser limitado, mas não é nulo: a Audiomótor/Motobras é especialista em rádios e líder no segmento de rádios portáteis. A maioria de seus modelos dá atenção especial à sintonia de OC, sendo reconhecida por membros da comunidade "Radioescutas - Ondas Curtas" no Orkut como o melhor rádio fabricado no Brasil. O próprio site da empresa explica o que são as ondas curtas e dedica uma página para dicas e links sobre dexismo.

Alguns modelos de rádios da Motobras, com até 14 faixas de ondas curtas

Por outro lado, não tem como negar que quem ouve OC hoje é "um em um milhão", e até mesmo emissoras em ondas médias resistem relativamente fortes no Brasil muito por conta da força dos comunicadores do AM, que "puxam" os ouvintes para as freqüências onde estão. Enquanto não chega o AM digital ou outra tecnologia que coloque a qualidade de som da onda média em pé de igualdade com o FM, as rádios que não têm nenhum "figurão" no microfone e não têm dinheiro para montar um departamento de jornalismo similar ao de uma CBN, Bandeirantes ou Eldorado, "tiram leite de pedra" para seguir com a programação popular (de menor custo, comparado ao jornalismo) e não cair na tentação de alugar todos os horários para igrejas, independente da religião.

Na mesma comunidade do orkut sobre radioescuta li uma mensagem muito interessante num tópico que apresentava a seguinte notícia: "Irlanda aposenta ondas médias". Veja a situação do AM naquele país:

Dia 24 de março passado, a República da Irlanda aposentou os transmissores de Ondas Médias do país.

Após 82 anos no ar, a RTE-1 deixou de transmitir em ondas médicas/AM para manter suas transmissões em FM e Ondas Longas (Long Waves, 252 kHz) bem como via satélite, TV a cabo, web (http://www.rte.ie/radio1) e para a área de Dublin e algumas outras cidades e fase experimental via rádio digital (DAB).

Um programa especial, chamado MEDIUM WAVE GOODBYE foi ao ar nos 90 minutos que antecederam a retirada do transmissor do ar e apresentou alguns dos momentos mais importantes transmitidos pela RTE-1 em ondas médias.

Em comunicado oficial dirigido aos ouvintes, a RTE apresentou os seguintes motivos para a decisão de finalizar as transmissões em ondas médias:

"
• The audience for the MW service is very small
(a audiência do serviço em ondas médias é muito pequena)
• The vast majority of the RTÉ Radio 1 audience listens to the superior sound of FM.
{a grande maioria dos ouvintes da RTE-1 sintoniza o som com qualidade superior do FM)
• MW broadcasting is inefficient and out of date; with poor quality reception and audio
(a transmissão em ondas médias é ineficiente e ultrapassada com má qualidade de recepção e áudio)
• MW is inconsistent with environmental best practise and represents poor value for money
{ondas médias é inconsistente com as melhores práticas ambientais e representam um baixo nível pelo dinheiro investido]
"
Um outro post do mesmo tópico ajuda a esclarecer alguns pontos do comunicado:

"Na Europa o pessoal dá pouca importância ao AM há muito tempo. Talvez isso se deva ao fato de que lá as distâncias são menores. Logo, o FM daria conta com qualidade de som bem melhor. Além disso, os gastos de transmissão do AM são muito altos, principalmente quanto aos valores de compra e manutenção de transmissores, sem falar no elevado consumo de eletricidade."
De qualquer forma, uma coisa é fato: a turma do David Miranda ainda acredita nas ondas curtas, por mais que prefira alugar transmissores de terceiros em vez de usar transmissores próprios, como você lembrou no seu comentário no Radio Base. E, pelo que tenho lido, não é a única igreja...

Comentários

  1. Infelizmente é a tal da evolução que faz com que tal coisa aconteça , o mesmo se da com as pessoas também , quando a pessoa adquire uma boa esperiencia , já esta na casa dos 40 anos aí então são sumariamente descartadas, as empresas querem os jovens em seus quadros , o que eles mais visam é redução de custos . Tem muitas pessoas por aí jogadas as traças sem emprego pois a sociedade simplesmente descarta, quando deveriam valorizar .
    Basta andarmos de onibus , metro , etc... para ver o quanto as pessoas não estão nem aí umas para com as outras , os jovens de hoje parecem estar todos morrendo em pé, eles ficam sentados nos bancos de onibus , metro, enquanto vergonhosamente os mais velhos ficam em pé . E não adianta o pessoal do metro ficar falando a toda hora , que os assentos cinzas são de uso prefencial , que não é para ficar parado na porta , que não é para segurar a porta , falar para que? para um bando de tapados .
    Sem comentários

    Voltando para o rádio , eu ouvi o Radio Am quando era pequeno 8, 9 anos eu tinha , e cheguei até a ouvir radio novelas que por sinal éram muito melhor do que essas porcarias que passam na Tv lixo que temos atualmente , realmente o am não é lá essas coisas em termos de qualidade mas serviu muito bem para muitos e por muitos anos , mas é sempre assim as pessoas tem a tendencia de valor aos mais novos mesmos , os mais velhinhos foram bons enquanto serviam , agora quem esta se lixando .
    Abraços ,
    Reinaldo Lima

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  2. Reinaldo,

    Obrigado pelo comentário, muito boa a sua comparação!

    Parabéns pelos blogs, baixei as vinhetas da Nova FM, gosto muito disso. Vou indicar o seu blog aqui também!

    Quanto ao rádio AM, acho que está longe de morrer, ele tem seu "charme", sim! O que sou totalmente contra é a fabricação de rádios só com FM, porque quem conhece o AM - e gosta de rádio - vai perceber que tem coisas que só ficam bem no AM. Eu mesmo estive afastado um bom tempo do AM, ouvindo rádio no celular. Meu celular ficou um bom tempo na assistência técnica e ressuscitei meu discman, onde voltei a ouvir o AM. Hoje o celular voltou, mas continuo com o discman por causa do rádio AM.

    Abraços!

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