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"Casos de Família" baixa o nível e Regina Volpato se desculpa em blog

Tem coisas na televisão que vejo mais pela qualidade com que são feitas do que pelo conteúdo. Hoje, por exemplo, vi uma cena de "Pantanal" em que a personagem da Natália Thimberg aparecia bêbada, explicando o que era folclore para alguns peões da fazenda do Zé Leôncio (Cláudio Marzo). A cena não tinha a menor importância para a trama, mas tive que parar pra ver. A dona Mariana bêbada não lembrava em nada os bêbados caricatos dos programas humorísticos (e de muitas novelas, também). Em alguns momentos cheguei a pensar na possibilidade de a atriz estar realmente bêbada, tamanha naturalidade da cena. Foi perfeita!

Classifico como outro exemplo, nesse sentido, o trabalho da Regina Volpato no "Casos de Família". Não sou de visitar blogs de artistas/celebridades, mas fui no blog da Regina Volpato depois de ver uma nota no blog da coluna Canal 1, do Flávio Ricco, que comentava a insatisfação da apresentadora com os rumos que seu programa está tomando no SBT.

O post, publicado pela jornalista em 29/08, é intitulado "Peço desculpas". Dois trechos merecem especialmente ser repetidos e destacados:

"Adoro comunicação popular. Não tenho nada contra entretenimento. Tenho absoluta certeza de que é, sim, possível unir cultura, humor, informação e diversão num mesmo produto para a TV.
Adoro dar risada. Respostas espontâneas, rápidas, inteligentes e bem-humoradas de muitos dos meus entrevistados já me fizeram quase rolar de rir. Rir junto com eles. E não deles. Isso é que me encanta.
Nos programas recentes ri muito pouco. Em alguns, uma risada tensa, desesperada até."

(...)

"Prezo imensamente meus entrevistados. Tenho o maior cuidado com eles, assim como me preocupo também com as pessoas que me recebem de braços abertos em suas casas, em plena tarde."

Pois é. Fazer um programa com o formato do "Casos de Família" da forma como Regina Volpato faz é uma raridade. Assim como vi a cena irrelevante de "Pantanal" citada no começo do texto, vejo o "Casos de Família" na maioria das vezes sem dar muita atenção para o tema. Vejo pela forma exemplar como é conduzido!

Em nenhum momento a apresentadora constrange os entrevistados ou faz pouco caso de suas histórias. Pelo contrário, o "rir junto com eles e não deles" é tão claro que nem precisaria ser comentado no blog!

Muita gente torce o nariz, mas considero a atração do SBT um exemplo de que é possível fazer algo extremamente popular em televisão com nível elevado. Até porque "alto nível" não significa erudição (ou falsa erudição). "Alto nível" pode ser, também, algo honesto e que não desrespeita ninguém para conseguir audiência ou anunciantes. E, nesse aspecto, o "Casos de Família" sempre foi, pra mim, de altíssimo nível.

Não vi os programas citados no blog, mas imagino que tenha tido uma queda bem grande, pelo texto da jornalista e pelos comentários do post. E digo o óbvio: apelar pra baixaria no "Casos de Família" é muita burrice!

Será que ninguém no SBT consegue enxergar esse diferencial? Será que é tão difícil manter o nível de um programa que sempre deu certo sem apelação?

Aí eles estréiam uma cópia do "Hoje em Dia" para fortalecer a programação da tarde, ao mesmo tempo em que tentam destruir o único produto bem-sucedido do horário nos últimos anos...

Desse jeito fica fácil pra Record se consolidar no segundo lugar, independente do que faça pra conseguir isso!

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