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As marcas das TVs generalistas, por Fernando Morgado

O pesquisador Fernando Morgado escreveu um artigo muito interessante para a Agitprop - Revista Brasileira do Design sobre a semelhança entre as marcas das TVs abertas e generalistas pelo mundo.

O texto mostra a repetição de alguns elementos nas marcas de emissoras brasileiras e estrangeiras (como esferas ou desenhos que remetem ao olho) e fala sobre a dificuldade na criação da identidade visual de canais que veiculam conteúdos variados, direcionados a diversos públicos.

Acompanhe aqui alguns trechos do artigo, com ilustrações que adicionei para exemplificar os conceitos. O texto completo está disponível no site da revista.

Esferas, globos e círculos

Essas formas tem uma ligação tão grande com a ideia de mundo que algumas emissoras chegam a usá-las de forma ainda mais detalhada e literal (como é o caso da Record, por exemplo). Esse conceito relaciona-se diretamente com a intenção de apresentar um conteúdo que interesse a todo mundo e, literalmente, englobe os mais diversos perfis. Remete, também, ao globo ocular e, consequentemente, à visão (sentido mais relacionado com a televisão), além de possuir direta relação com a tecnologia analógica, visto que, nesse caso, a imagem da TV é composta pela união de diversos pontos circulares e luminosos.

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Olho

A forma do olho remete não apenas ao sentido da visão (também lembrado pela forma da esfera), como também com a expressão "visão global", que é bastante condizente com uma emissora generalista. Além disso, o olhar atento e vigilante típico da atividade jornalística é outra leitura obtida pelos símbolos desta categoria.

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Animais

No começo da televisão, o uso de mascotes era quase obrigatório. Eles ajudaram a aproximar a TV do segmento infantil e aumentar o sentimento de afeto tido por todos os outros perfis de público. Muitos tornaram-se antológicos, como o pequeno "tupiniquim" da TV Tupi, um dos primeiros símbolos da televisão brasileira. Com o passar dos anos e o aumento da influência de temas mais comuns em escala internacional (como tecnologia, por exemplo), os animais começaram a perder força, mas permanecem em algumas das maiores emissoras do planeta, a começar pela NBC que, desde os anos 1950 (e o advento da TV em cores nos Estados Unidos), mantém o pavão como símbolo. Outro ponto interessante é o emprego da figura humana pelas emissoras públicas (PBS e Cultura), que tem a obrigação de centrar suas ações na defesa e na formação integral do cidadão.

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Cores nacionais

É uma forma bastante rápida de criar uma maior identificação entre a emissora com o seu país. As cores da bandeira estão presentes no dia-a-dia de todos os telespectadores e são facilmente reconhecidas por eles. Não somente canais estatais usam essas cores: emissoras privadas que desejam ser identificadas em nível nacional também empregam este tipo de artifício, como é o caso da Bandeirantes, que durante boa parte da sua história foi vista como emissora muito ligada a São Paulo (tanto que as suas cores anteriores eram vermelho, preto e cinza). Para retirar essa conotação mais regionalista, desde 2002 a Band adota o verde-e-amarelo.

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Tecnologia da televisão

Sendo um grupo temático altamente genérico e de compreensão internacional (que sempre remete à ideia de precisão e modernidade), a tecnologia está presente na maioria dos símbolos de diversas formas. A venezuelana TVes, por exemplo, une o formato da tela analógica com as color bars nas cores do seu país, ao mesmo tempo em que a RTP tem seu símbolo remetendo às linhas horizontais que formam a imagem da TV. Nos dias atuais, o tema tecnologia está sendo ainda mais empregado pelas emissoras em consequência da chegada do sinal digital.

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Números, siglas e iniciais

A televisão herdou diversos hábitos do rádio, a começar pelo nome das emissoras. Isso se traduz não somente pelo emprego de nomes iguais para estações de rádio e TV pertencentes aos mesmos grupos (como Globo, Bandeirantes, Record etc.), mas também pelo hábito da criação de siglas e adoção do número do canal como nome (da mesma forma que muitas rádios são chamadas apenas pela sua frequência no dial). O fato de todos esses termos serem curtos beneficia muito a criação de logotipos, logogramas ou tipogramas, dispensando até o uso de símbolos. A grande quantidade de emissoras presentes neste levantamento cujo nome contém ou resume-se somente a um algarismo deve-se à trajetória da televisão especialmente na Europa, onde todos os canais eram concentrados nas mãos de empresas estatais, que diferenciavam cada estação por um número. São os casos, por exemplo, da Inglaterra (BBC One, BBC Two, BBC Three, BBC Four), Espanha (La Primera e La Dos), Portugal (RTP1 e RTP2), Itália (Rai Uno, Rai Due e Rai Tre) e França (France 2, France 3, France 4 e France 5). Em todos estes casos, a cor cumpre um papel fundamental na identidade, pois ela é (mais que a tipografia) a maior ferramenta visual para organizar o portifólio de canais desses grupos de comunicação e posicioná-los mais claramente perante os seus concorrentes e a sua audiência. O emprego de iniciais (como nos casos, por exemplo, da Univision, Telemundo e Venevisión) também é outro artifício muito comum e auxilia o público a lembrar de forma mais imediata o nome completo da emissora.

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Leia o artigo completo de Fernando Morgado no site da Agitprop - Revista Brasileira do Design

Comentários

  1. Acho que o logo da Cultura representa uma cruz. Deve ter a ver com a Fundação Padre Anchieta.

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  2. Anderson,
    gostei muito do texto, os logotipos da Tupi são modernos até hoje, semprei me interessei pelo assunto logotipo, queria muito aprender sobre assunto e aprender a criar marcas

    Gosto desses logotipos plantinados

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