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CBM demite no JB e Gazeta Mercantil; futuro da companhia é incerto

Depois da retirada de metade dos títulos da Editora Peixes das bancas, a CBM está demitindo profissionais do Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil. O número de pessoas não foi confirmado: uma reportagem do Comunique-se falava sobre a dispensa de 12 funcionários, podendo chegar a 20, enquanto a coluna de Milton Coelho da Graça no mesmo site, publicada na segunda-feira, trazia o título "Trinta demissões em busca de explicação". Entre os nomes está a demissão confirmada de Ana Géia, três meses após aceitar o cargo de editora executiva da Gazeta Mercantil, sob garantia de permanência de um ano no jornal.

O Comunique-se reproduziu parte do texto de uma reportagem publicada no site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), que informa que "a direção do Jornal do Brasil pretende cortar 30% de seu gasto com a folha de pagamento de salários", e que "a intenção é prestigiar profissionais capazes de atrair anúncios e matérias pagas de empresas privadas e órgãos públicos, principalmente nas prefeituras, governos estaduais e União". Para isso, o JB "pretende consolidar a criação e edição de cadernos regionais, em estados e municípios, voltados para as mais variadas áreas de interesse - economia, cultura, arte, educação, turismo, entretenimento, serviços -, sempre sob o patrocínio financeiro dos governos estaduais e das prefeituras interessadas em divulgar suas obras e realizações". E o leitor ainda vai pagar para ler isso!

A conclusão sobre a situação do jornal carioca, a partir das informações do Sindicato, é deprimente: vai ser transformado em panfleto!

Há outras versões sobre a "reestruturação" da CBM. O texto de Milton Coelho da Graça diz que, pelo menos no caso do JB, há possibilidade de sua venda para "uma empresa de mídia ou de telefonia (nesta hipótese envolvendo a Intelig, também controlada pelo sr. Tanure)". Um sinal disso é o fato de que alguns profissionais têm sido "chamados para trocar a situação de PJ pela ortodoxa e legal CLT", visando "reorganizar e deixar sem problemas jurídicos o jornal", condição que facilitaria o negócio.

No sistema de comentários do site, o editor do Jornal da Tarde, Marcelo Moreira, classifica de "assustador" o saldo da gestão de Tanure nos jornais que arrendou. O jornalista não acredita na hipótese de venda por causa da desvalorização que as marcas sofreram com a CBM e do "caminhão de ações trabalhistas" que o grupo acumulou nos últimos anos: "só com a Associação dos Funcionários, Ex-funcionários e Credores da Gazeta Mercantil a dívida trabalhista supera R$ 120 milhões".

Em meio a toda essa bagunça, a melhor alternativa para qualquer veículo da CBM parece mesmo ser a venda para outro grupo. E, pelo menos para o JB, não fica difícil especular seus potenciais compradores, ainda mais quando é falado em "uma empresa de mídia ou telefonia".

Se ainda não apareceu o nome de nenhuma empresa na sua cabeça, é só pensar num grupo de mídia - ou não só de mídia - que tivesse dinheiro suficiente para assumir o "abacaxi" trabalhista da CBM e estivesse disposto a fazê-lo para se tornar proprietário do principal concorrente de O Globo no Rio de Janeiro (e, quem sabe, do maior concorrente do Valor Econômico em São Paulo - outro jornal das Organizações Globo). No caso da empresa de telefonia, é só lembrar de alguma que esteja comprando outras empresas de telefonia enquanto busca aumentar sua atuação em outras mídias. Entre as duas, torço para a segunda.

As duas situações não trazem perspectivas de tornar o Jornal do Brasil tão menos panfletário do que será com a CBM, de acordo com o que espera o SJPMRJ. Mas não consigo imaginar a empresa de telefonia fazendo mais do que criar mecanismos de interação, oferecer conteúdo do jornal no celular, ou simplesmente incluir o JB em seu pacotão de serviços (assine o jornal, a TV via satélite, a banda larga, o telefone fixo e o celular - e ouça a rádio da operadora). Já o outro grupo de mídia poderia deixar o jornal panfletário de uma forma menos mercadológica e mais ideológica. E eles têm cada idéia...

SAIBA MAIS
http://www.jornalistas.org.br/ler_imprensa.asp?id=1046

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