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O fim da Venenosa FM

No mês passado, uma nota do Tudo Rádio.com informava que a rede Venenosa FM poderia encerrar suas atividades no começo desse mês, dando lugar à Mania FM, marca do mesmo grupo que ocupava anteriormente algumas das freqüências transformadas em 2006 na rede segmentada.

Apesar dos indícios de que a programação da Venenosa estava com os dias contados - já não havia locutores no ar -, não comentei aqui porque o próprio Tudo Rádio.com dizia que as informações não tinham sido confirmadas oficialmente.

Em uma das comunidades sobre a rádio no Orkut, um post relatou a troca da programação na terça-feira passada (02 de dezembro). O Tudo Rádio.com confirmou a volta da Rede Mania em matéria desta segunda-feira (08).

Não é necessário um grande esforço para imaginar o que motivou o Grupo Salgado de Oliveira a acabar com a Venenosa: uma rádio popular alcança maiores índices de audiência com menor esforço, e ainda está mais aberta ao "jabá" do que estava uma emissora como a Venenosa.

Pelo pouco que ouvi da rádio, achei que existiam algumas coisas que poderiam/deveriam ser diferentes. O conceito era meio estereotipado: as vinhetas eram excessivamente sombrias ou agressivas e a programação musical muito pesada ou alternativa. Isso sem contar o fato de que a Venenosa era uma rádio bem carioca, apesar de ter as regiões de Uberlândia e Goiânia como seus principais mercados - no estado do Rio de Janeiro a FM estava presente nas cidades de Rio Bonito e Paraty.

Ainda acho que existe espaço para uma "rádio rock", mas ela só seria viável se estivesse presente pelo menos no Rio de Janeiro ou São Paulo, por um motivo bem simples: o rock está cada vez mais "sub-segmentado". O indie não quer ouvir o Emocore, que não quer o Metal, que não quer a New Wave, que não quer o Hardcore... e por aí vai. É necessário um mercado grande para que a rádio encontre um meio-termo que agrade a maioria, e que essa maioria forme um público de tamanho desejável. O meio-termo teria que excluir alguns estilos da programação (como fazem em São Paulo Kiss e Brasil 2000) ou não se limitar ao rock, como fazem a "customizada" Mitsubishi FM (92.5 MHz - São Paulo) e a tradicional Ipanema (94.9 MHz - Porto Alegre), por mais que a programação de ambas seja baseada prioritariamente em rock.

Em resumo: fazer uma rádio rock é difícil e V. Ex.ª, o senador Wellington Salgado, quer ganhar dinheiro fácil!

De qualquer forma, me impressiono com a cabeça limitada dos donos de rádio por aí. Tá faltando conhecerem benchmarking, que é, de uma forma bem simplificada [pra não dizer "nas coxas"], olhar o que a concorrência está fazendo e que pode ser implantado para melhorar a sua empresa. Será que ninguém reparou que a Oi FM está bem longe de ocupar o primeiro lugar em qualquer praça e que, mesmo assim, investe no crescimento da rede? Por que será isso? Não seria porque ela fortalece a marca da operadora? E será que uma rádio com programação exclusiva não seria mais interessante para a Universidade Salgado de Oliveira do que será mais uma FM popular nos mercados saturados onde atuava a Venenosa?

A Venenosa FM poderia ser uma rádio "customizada" da UNIVERSO (mantendo ou não o nome de Venenosa), onde a programação diferenciada agregaria maior valor à marca do patrocinador. Mas isso provavelmente não daria resultado imediato.

Enfim, entender o caso da Venenosa é difícil, mas nem tanto. Pior é a Brasil 2000 em São Paulo - volto a falar dela, claro: uma rádio rock não comercial (a concessão é educativa), localizada no bairro da Pompéia (tradicional reduto do rock na cidade) e com marca que não tinha mais apelo futurista, mas se destacava por ser a única no ar que conviveu com a 97 Rock e a 89 FM. Tudo isso no principal mercado do Brasil e com um histórico invejável. Se com tudo mais "mastigado" a Brasil 2000 é uma morta-viva por opção há anos, imagina a Venenosa, que precisaria de muito trabalho até para conseguir o que a ex-Brasil 2000 está desperdiçando!

Comentários

  1. Acho que essa idéia de uma rádio customizada poderia valer para a própria Brasil 2000, uma vez que seu único anunciante fixo é a Unviersidade Anhembi-Morumbi.

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