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Rádio Base: "Sindicato dos radialistas gaúchos ganha processo contra Rádio Gaúcha e abre precedente"

De Marcos Lauro, para o Rádio Base:

Essa sexta-feira, 13 de outubro, não foi de azar para o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Radiodifusão e Televisão do Rio Grande do Sul. Nesta data saiu a decisão do Tribunal Regional do Trabalho sobre o processo que a instituição abriu contra a Rádio Gaúcha, pelo fato de a emissora retransmitir, integralmente, o conteúdo do AM na sua frequência FM. Com o parecer, os funcionários da emissora devem receber o dobro por trabalharem, teoricamente, em duas rádios diferentes ao mesmo tempo (os CNPJs são diferentes). A causa tem o valor de R$ 30 mil.

A decisão foi em prmeira instância e ainda cabe recurso por parte da emissora do sul. Mas, em seu site, o sindicato já afirma que vai abrir outros processos: "A partir desta primeira vitória vamos também entrar com idêntica ação contra a Rádio Guaíba, a Rede Pampa e a Rádio Bandeirantes".

Vale lembrar que esse modus operandi - de transmitir o AM no FM - vem de 1996, quando a CBN passou a ocupar os 90,5 Mhz, uma frequência que pertence às Organizações Globo e era da Rádio X. Desde então, diversas outras redes de rádio, Brasil afora, adotaram o mesmo procedimento e simplesmente duplicaram sua transmissão nessa outra faixa, até então apenas com rádios musicais. Como o AM sendo esquecido pela maioria dos fabricantes de eletrônicos (principalmente os portáteis), essa é uma forma de não perder tanta audiência e ainda transmitir um som mais limpo para o ouvinte.

A decisão do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul é importante e abre um precedente para o resto do país. Cabe esperar e ver se outros sindicatos terão a mesma coragem dos colegas gaúchos ou se vão deixar por isso mesmo. E vamos esperar também para ver se as emissoras já vão tomar alguma atitude, antes que o processo bata à sua porta.

A decisão em primeira instância não significa a vitória dos funcionários, mas o precedente pode mexer muito com a confortável estrutura dessas emissoras que ajudam a enfraquecer o AM enquanto faturam em FM com custo zero na produção de conteúdo.

Vale especular (e perguntar): já pensou se a CBN de São Paulo também tivesse que pagar o dobro dos salários? Será que teria que pagar a diferença desde 1996, quando passou a repetir a programação dos 780 kHz em 90,5 MHz? E mais: será que alguém teria a coragem de provocar um prejuízo desse porte às Organizações Globo?

Um "tranco" no bolso desse pessoal poderia deixar o negócio menos atraente, acabando com a aemização do FM. O problema é que eles poderiam outras formas de atenuar esse "tranco", como manter suas emissoras em FM e arrendar as frequências em AM para algum apóstolo/missionário. É uma alternativa meio catastrófica, mas alguém acha impossível?

Comentários

  1. Obrigado pela correção, Rodney! Tinha visto que era do Marcos Lauro mas, na correria, acabei colocando que era do Marco Ribeiro. O texto já foi alterado.

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