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Mudança na Ipanema era viral

Domingo, pouco antes da meia-noite. Já tinha escrito sobre o suposto fim da Ipanema FM, com dúvida de que aquilo poderia ser um viral, mas continuei ouvindo.

Depois de uma despedida "melancólica" do programa "Mais e Melhores Blues", entra NX Zero (ou uma banda similar). O site muda, anunciando "a Ipanema que vai abalar o mercado", e a rádio segue com Luan Santana, seguido por Raça Negra. Quando comecei a ouvir, me perguntei: se era para transformar a Ipanema em popular, por que então não a transformaram em afiliada da Band FM?

A playlist continuou: Raça Negra, Byafra, Restart, Cine, Dominó, Angélica, Frenéticas, Latino, Bon Jovi, Extreme, Beto Barbosa, Information Society, Chitãozinho & Xororó, Clemilda e até as discípulas do Inri Cristo! "Só as confirmadas", como dizia uma das vinhetas.


O "vitrolão" bagunçado, com muitas repetições de poucas músicas estereotipadas dava brecha para a desconfiança. Por que não tocar "Amar não é pecado", do Luan Santana, que toca 50 vezes por dia em qualquer rádio popular, mas sim só "Meteoro"? Por que misturar Luan Santana com NX Zero e Clemilda (tem tocado "Prenda o Tadeu")? Será que a ideia da agência que teria planejado o reposicionamento era criar uma rádio "popular anárquica"? Fui dormir acreditando que o episódio seria mesmo a nova versão do dia Disco Music da antiga 89 - A Rádio Rock.

Durante o dia de hoje, o assunto repercutiu mais ainda. Este humilde blog já acumula mais de 1000 pageviews - coisa que nunca passou nem perto num único dia. E, por aí, protestos, comentários, petições e textos como o do Lúcio Ribeiro, do Popload (linkado aqui e que vale a pena ler).

Entre um bloco e outro, anúncios suspeitos: a Ipanema promovendo shows de rock para setembro (como Ultramen e Bling Guardian) e anúncio da "volta to 'Talk Radio'" ao meio-dia. Deixa para apostar no viral!

Procurando quem mais pensasse igual, chego ao seguinte texto do Ricardo Seelig:

"(...) O que está acontecendo, na verdade, é uma ação de marketing para divulgar a nova programação da rádio, que estreará, a princípio, às 20 horas de hoje, dia 15 de agosto. Nada de mudanças no direcionamento da emissora, apenas programas novos estreando. Em suma: não vai mudar nada, a rádio seguirá a sua linha tradicional, só terá novas atrações refrescando o dial".

Certo. Nova programação, até com mudanças, e uma chutada de balde para que as mudanças fossem melhor aceitas. Ou simplesmente uma forma de fazer a rádio ganhar visibilidade antes da estreia da nova programação.

Resta saber se o público vai ficar mais feliz com a volta da tradicional Ipanema ou se vai só se sentir enganado. Ricardo Seelig está mais para a segunda opção:

"Mas o que realmente se discute é o mal gosto e a falta de noção da campanha publicitária veiculada, que, ao almejar ser inovadora e arrojada, acabou caindo no ridículo. Ok, você pode dizer que todo o Brasil está comentando e que o viral deu certo, mas o impacto junto ao público está sendo extremamente negativo. O que era para ser uma ideia genial não passa de uma ação pra lá de questionável".

E é isso! Agora é só aguardar as mudanças e a repercussão da história.


UPDATE (17h25): O site Baguete comentou um comunicado emitido hoje pela Ipanema FM que "confirma sem confirmar" a ação de marketing. Seguem os trechos publicados:

"A gente jamais daria essa bola nas costas de vocês. O anúncio das mudanças na rádio não foi mera jogada de marketing, nem pegadinha. Foi simplesmente a Ipanema sendo a rádio livre de sempre. Livre, destemida, inconsequente como ela sempre foi".

"Em um mundo cada vez mais medíocre e bundão, alguém tem que ter coragem. Alguém tem que tirar as pessoas da zona de conforto, da pasmaceira. Alguém tem que lembrar que a música sofreu nas mãos da ditadura militar, e hoje sofre com a ditadura do mainstream, da modinha, do mercado".

Então tá.


UPDATE (16/08): O texto completo do comunicado está disponível no blog da rádio.

Comentários

  1. Eu chamaria de 'síndrome de Sandy', ou seja, já que não temos muito o que apresentar de criativo, vamos 'impactar' com algo 'original'(?). Só que esse pessoal esquece que rádio para ser rádio, tem que ser ouvido, e não 'comentado' (no sentido viral da palavra)

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