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Prédio da Manchete no Rio é vendido por R$ 260 milhões

De Talita Figueiredo, publicado no Estadão da última quinta-feira (01/07):

Leiloado em maio com lance inicial de R$ 65 milhões, o prédio da Manchete, na Glória, zona sul do Rio, foi comprado pela BR Properties por R$ 260 milhões, conforme anúncio feito pela própria empresa ontem à tarde. A companhia informou que pretende realizar a modernização completa do edifício, que vai respeitar a concepção original do imóvel, e construir no local um edifício com salas de escritórios, reuniões, eventos corporativos e ainda garagem com 320 vagas. As obras devem ser entregues em agosto de 2011.

Projetado por Oscar Niemeyer, o complexo de 30 mil metros quadrados foi sede da Bloch Editores, a gigante da imprensa brasileira declarada falida há oito anos. Inicialmente, chegou a ser mobiliado com mesas e cadeiras desenhadas por Sérgio Rodrigues e decorado com obras de artistas famosos, incluindo Cândido Portinari.

O imóvel está alugado para a Universidade Salgado Oliveira (Universo) até 2011. Em 2007, a entidade tentou arrematá-lo em outro leilão, por R$ 28 milhões, mas não conseguiu, porque a oferta foi muito baixa.

Impactante, o complexo de 12 andares chama a atenção na paisagem da Glória desde 1968. Foi construído especialmente para abrigar a Bloch e suas revistas Manchete, Fatos e Fotos e Desfile, entre outras. Nos anos 80, recebeu a TV Manchete.

Nos anos áureos, o edifício da Rua do Russel recebeu a visita de presidentes, governadores e artistas. Até sua morte, Juscelino Kubitschek chegou a ter um escritório no último andar, montado pelo amigo Adolpho Bloch. O velório do ex-presidente, em 1976, foi realizado no saguão.

Não é a primeira vez que se tem notícia sobre a venda desse prédio. A diferença é que, desta vez, a notícia envolve uma empresa "dedicada, principalmente, à aquisição, administração, desenvolvimento e locação de imóveis comerciais", e não uma transportadora do Espírito Santo, como no ano passado.

O site da BF Properties já mostra o Edifício Manchete entre as propriedades da empresa e divulgou nota sobre a compra, na qual anuncia as "obras de retrofit (restauro) completo, além da construção de edíficio garagem com mais de 320 vagas, visando maior conforto para os usuários e para a vizinhança do Edifício". No orkut, já se especula sobre o espaço onde serão construídas as tais 320 vagas de estacionamento; a maioria das pessoas tem receio que seja na área dos antigos saguões.

Um dos saguões do Edifício Manchete, no auge da Bloch.

Há pouco mais de um mês, foi noticiado que a Rede Record estaria interessada no prédio, mas que teria desistido do negócio por causa do alto preço cobrado pelos proprietários. Se a Record ainda tiver interesse, vai poder alugar o edifício ou parte dele no ano que vem: de acordo com a nota no site da BF Properties, "ao final das obras de retrofit, o Edifício Manchete poderá ser ocupado como sede corporativa de uma única grande empresa ou por múltiplos locatários, já que seus espaços internos são flexíveis".

É difícil acreditar que o prédio não fique descaracterizado. Mas, com ou sem Record, é bem provável que não fique mais desocupado.


UPDATE (07/06): O professor e pesquisador Fernando Morgado lembrou que o Edifício Manchete não poderá ser descaracterizado por ser tombado, e afirmou que todas as obras de Oscar Niemeyer têm tombamento automático.

Em 2007, 35 obras foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Na época, o órgão planejava a elaboração de um inventário com todas as obras do arquiteto, para que tudo fosse preservado.

Relendo a nota sobre a compra do prédio no site da BF, vi que é anunciada a construção de um edifício garagem, que pode muito bem ser um anexo à antiga sede da Bloch, totalmente independente das construções de Niemeyer. É precipitado apostar que a garagem vá sacrificar os saguões.

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